Transformar
uma simples folha de papel numa flor, animal, balão ou
qualquer outro objeto de forma tridimensional, é um momento
mágico do origami, a milenar arte oriental da dobradura
de papel. Mas além da beleza do trabalho, que gratifica
quem faz e quem vê, o origami traz em sua essência
uma grande filosofia de vida. “No origami a primeira dobradura
deve ser muito bem feita, para que o papel possa ficar em pé.
Assim também é na vida. As crianças devem
receber uma boa educação pois se não têm
uma boa estrutura não conseguem parar em pé”,
ensina Kazuko Horiuchi, professora de origami.
Ao mesmo tempo em
que as folhas de papéis começam a se transformar
em objetos tridimensionais, as crianças assimilam a filosofia
do origami. Aprendem, por exemplo, que no origami é preciso
fazer o orimetadashitô – que significa dobrar certo.
Assim, quem fizer uma dobradura firme e bela será uma pessoa
respeitável, de confiança e disciplinada. “Dobrar
o papel parece um ato extremamente simples, mas este simples movimento
na realidade nos fornece uma grande alegria que invade nossa alma”,
costuma dizer o origamista Kunihiko Kasahara.
No origami se aprende
a respeitar uma folha de papel. Explica-se esta atitude através
da mentalidade oriental, que não tolera o desperdício.
Inclusive um dos maiores ditados populares no Japão é
“não se pode desperdiçar nem uma folha de
papel”. Daí se vê que os japoneses tratam uma
folha de papel como uma preciosidade.
Para os nipônicos,
o papel tem tanta importância que a palavra é a mesma
que Deus: Kami. Mas, apesar da palavra ser igual, os ideogramas
são diferentes. Isto porque, na época da invenção
do papel, há cerca de 2.000 anos, o papel era uma preciosidade.
“As primeiras dobraduras eram simbólicas e eram oferecidas
aos deuses”. Segundo historiadores, na era Kodai, que antecede
a era medieval japonesa, o Estado e a religião eram unos
e o origami era empregado em ocasiões como coroações
e casamentos.
O origami se tornou
mais popular a partir da era Heian (794 a 1192) e atingiu seu
auge no período Muromachi (1338-1392) quando foram criados
cerca de 70 tipos de dobraduras. Mas foi a partir de 1868, na
era Meiji, que esta arte começou a fazer parte do currículum
escolar das crianças. Quando começaram a surgir
os papéis coloridos, na era Taisho (1912 a 1926) é
que se difundiu ainda mais os origamis recreativos e educativos.
No origami é
possível se acrescentar som, movimento e volume e, com
isto sua beleza ganha valor sendo enfocada como utilitário:
pássaros que batem asas, rãs que saltam, uma vaso
de forma inusitada ou qualquer outro objeto. Hoje o origami tem
sido muito utilizado no ensino básico da geometria. Esta
arte também possibilita desenvolver a capacidade motora
e criativa do indivíduo. Atualmente existem os mais variados
tipos de origami.
Semba Tsuru
Desde
a antigüidade o tsuru (garça) ocupa um lugar privilegiado
no mundo do origami. Sua confecção proporciona um
momento de magia, pois um plano quadrado se consegue transformar
em um objeto de arte elegante pois embora de linhas finas, o tsuru
tem base sólida, sem vão, e está sempre em
postura de alerta, que manifesta sua infinita majestade.
Como o tsuru simboliza
a paz, sorte e longevidade, fazer mil origamis de tsuru, o chamado
semba tsuru, significa um desejo a ser realizado: a recuperação
do doente, a felicidade do casamento, a obtenção
de um emprego. E até hoje, por causa desta crença,
quando se pretende conseguir um objetivo os japoneses costumam
fazer semba tsuru e ao final dos mil tsurus, o desejo costuma
ser realizado.
Uma
das histórias mais famosas de semba tsuru aconteceu em
Hiroshima, em 1945. A menina Sadako Sasaki, tinha 2 anos, quando
os americanos lançaram sobre sua cidade, a primeira bomba
atômica. Quase tudo foi destruído e arrasado pelo
fogo mas Sadako, que se encontrava a 2 km do local da explosão,
aparentemente nada sofreu.
Até os 12 anos
ela era uma menina alegre, normal e freqüentava uma escola
do bairro. Uma das coisas que mais gostava de fazer era correr
e um dia, depois de participar de uma corrida, sentiu-se cansada
e teve tontura. Na semana seguinte as tonturas voltaram mas ela
não disse nada a ninguém.
Certa manhã,
sentiu-se muito mal e foi levada para um hospital da Cruz Vermelha,
onde descobriram que estava com leucemia. Na época a leucemia
estava sendo chamada de "doença da bomba atômica"
e muitas crianças que apresentavam os sintomas estavam
morrendo. Sadako ficou assustada, pois não queria morrer
Chizuco, sua melhor amiga, foi visitá-la no hospital levando
um papel, com o qual fez uma dobradura de tsuru e contou a Sadako
uma lenda: o grou, ave sagrada no Japão, vive mil anos,
e se uma pessoa dobra mil grous de papel, fica curada.
Sadako resolveu fazer
os mil grous. Lentamente ela dobrava os grous, apesar da leucemia
que a enfraquecia. Ainda que não melhorasse, prosseguia
e conseguiu terminar as mil aves de papel. Sem ficar zangada ou
entregar-se, resolveu fazer mais. Todos acompanhavam sua determinação
e paciência até que, em 25 de outubro de 1955, rodeada
por sua família, ela montou seu último grou e faleceu.
Tristes, seus amigos,
quiseram fazer alguma coisa. Assim, 39 dos seus colegas de classe
resolveram formar um clube e arrecadar dinheiro para construir
um monumento em memória de Sadako e de todas as outras
crianças. Alunos de 3.100 escolas japonesas e de nove outros
países fizeram doações. Em 5 de maio de 1958
conseguiram dinheiro suficiente para a construção
do monumento, que foi chamado Monumento das Crianças à
Paz, e colocado no Parque da Paz, no centro de Hiroshima, exatamente
onde havia caído a bomba.
Nele está gravado:
"este é o nosso grito
esta é a nossa prece
construir a paz no mundo que é nosso."
Aprende a fazer um Tsuru

1-) Dobre o quadrado para baixo;
2-) Dobre para a direita;
3-) Abra, levando a ponta superior direita até a inferior;
4-) Vire;
5-) Abra e dobre como o 3;
6-) Vire;
7-) Deixe o seu papel igual a da figura, e dobre nas linhas pontilhadas
da esquerda, depois direita. Repita isso do dois lados e por final
dobre a parte superior e desdobre tudo;
8-) Coloque agora as linhas pontilhdas da esquerda e direita;
9-) Repita o 8;
10-) Sua figura terá que estar igual a esta;
11-) Junte as pontas dos meios com o centro, repita do outro lado;
12-) Pegue as duas pontas viradas para baixo e leve-as, para cima;
13-) Dobre o bico;
14-) Abra um pouco para trás e para frente;
15-) Agora abra as asas. E está pronto.
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